Ano I - nº 2 | Novembro de 2010
Veja Nesta Edição
Notícias de ensino superior
Entrevista: Simon Schwartzman
A ascensão das universidades asiáticas
Um Plano Diretor para o Ensino Superior
Igualdade e Acesso nas universidades
História: Ciência, a Fronteira Sem Fim




 
 

 

NOTÍCIA DE ENSINO SUPERIOR

Faltam engenheiros – O estudo A Formação de Engenheiros no Brasil: Desafio ao Crescimento e à Inovação, divulgado em junho pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, entra no debate sobre o tema. O documento analisa dados selecionados sobre formação no ensino superior e formação em engenharias, do Brasil e do exterior, mostra a diminuição da participação de engenheiros no total de graduandos nos anos 2000 e conclui que, dado o papel relevante desses profissionais na viabilização de inovações, o desenvolvimento do País corre risco de prejuízo se medidas não forem tomadas. Inicialmente, o estudo busca situar a posição central dos engenheiros para o desenvolvimento tecnológico, com base no perfil dos profissionais empregados em atividades de pesquisa e desenvolvimento nos Estados Unidos. Dados dos Indicadores de Ciência e Engenharia 2010, publicados pela National Science Foundation, a agência norte-americana de financiamento à pesquisa, mostram que são engenheiros 36% dos graduados em ciências e engenharia trabalhando em P&D. O estudo menciona igualmente a importância crescente de outros profissionais com educação superior – com formação em ciências naturais, mas também em Administração, Direito e Ciências Sociais. A necessidade de formação profissionalizante em áreas técnicas no ensino médio é também destacada como necessária para a inovação. Em seguida, o texto localiza o Brasil na última posição entre países escolhidos quando se trata da taxa de escolaridade superior para jovens entre 20 e 24 anos; a tabela abaixo fala por si. O estudo apresenta alguns números absolutos sobre cifras de alunos no ensino superior: são 14 milhões os estudantes do ensino superior indiano (2005-2006); 20 milhões os estudantes na China (2008); e 5,2 milhões no Brasil (2007, OCDE).

O impacto dos números sobre a formação geral no ensino superior é inevitável sobre a formação de engenheiros, diz o estudo, antes de apresentar certos detalhes do perfil dos que saem da educação superior no Brasil. Os dados escolhidos mostram que as matrículas se concentram em Educação, Ciências Sociais, Direito, Economia e Administração – nada das Engenharias (fonte: MEC, Inep, Censo da Educação Superior). Em 2007, entre o total de alunos egressos dos cursos superiores no Brasil, apenas 5,1% estavam nas engenharias, ante 6,1% nos EUA; 14,2% no México; 14,5% na Espanha; 19,4% no Japão; 25% na Coreia do Sul; e 35,6% na China (fonte: OCDE, 2010). Em 2000, a participação relativa dos engenheiros foi de 5,6% do total de egressos (12% maior do que os 5,1% de 2007). Também em 2000, 26,6% dos egressos vinham de Ciências Sociais e Direito e 13,2% dos cursos de Economia e Administração. “Mais grave é que estes porcentuais de egressos em Ciências e Engenharia, além de baixos, são decrescentes”, escreve o autor, Carlos Américo Pacheco, do Instituto de Economia da Unicamp. Outro achado do estudo é a perda do peso relativo das áreas tradicionais da Engenharia na formação geral de engenheiros, em que ganham destaque a Engenharia de Produção, Logística, Pesquisa Operacional; Qualidade; Engenharia do Trabalho, Econômica e Ambiental; Engenharia de Alimentos e Mineração, em detrimento de áreas mais tradicionais e mais cruciais na inovação, como as Engenharias Elétrica, Eletrônica, Mecânica, Química e Civil.

Gráfico 1 – taxa de escolaridade superior para jovens de 20 a 24 anos -
PaíseS selecionados, 2007

O estudo também observa que o Brasil está melhor na comparação internacional quando se trata dos doutores em Engenharia. O porcentual de doutores em Engenharia em relação ao total de doutores no Brasil é de 11,8%, similar ao porcentual do Chile, da Estônia, de Portugal, da Suíça e da França; mas muito inferior ao da China, a campeã internacional, com 34,9%, e ao da Coreia do Sul, com 24,8% (OCDE, Measuring Innovation: a New Perspective, 2010). O total de engenheiros formados no Brasil e em países selecionados está no Gráfico 2.

Gráfico 2 - EgressoS DE cursos superiorES DE Engenharia em Relação ao total -
Países selecionados, 2007

Com base nessas informações, a Introdução do documento, que é também seu resumo executivo, reclama planejamento mais ativo do setor público, em parceria com o setor privado, para estruturar um plano de graduação de Engenharia e de Ciências que busque não apenas a solução em curto prazo – ampliar indiscriminadamente a formação de engenheiros no Brasil. O esforço na formação é um investimento de longo prazo – leva cinco anos para se formar um engenheiro – e deve ser compatível com as áreas estratégicas para o desenvolvimento do País. Outro argumento que aparece na Introdução é sobre a dificuldade para o Brasil melhorar sua renda per capita no século XXI, como o fez no século XX, se a taxa de escolaridade continuar baixa como é hoje e se persistir o quadro de baixa ênfase na formação e qualificação de recursos humanos. Foi possível no século passado, sustenta o estudo, pois a industrialização brasileira foi baseada em tecnologia desenvolvida, basicamente, fora do País. Para o autor, “nem mesmo o subsistema de subsidiárias estrangeiras conseguirá manter um ritmo forte de investimento no Brasil sem maior produtividade e melhor qualificação da mão de obra” local.

For-profits: uma no cravo... Entre maio e julho de 2010, o Escritório de Transparência Governamental (Governamental Accountability Office, GAO) investigou práticas de 15 colleges com fins lucrativos, entre os 2 mil que preenchem os requisitos para ter a anuidade de seus alunos financiada pelo Ministério da Educação, dentro do chamado Título IV do Ato para Educação Superior de 1965 (“emendado”, acrescenta a referência). A investigação foi conduzida a pedido da Comissão de Pensões, Educação para o Trabalho e Saúde do Senado federal e o resultado a ela apresentado em 4 de agosto. O GAO é “o braço de auditoria” do Congresso dos EUA, como define sua página na rede mundial. Foram duas as tarefas de que o GAO foi incumbido: comparar o valor das anuidades de colleges com e sem fins lucrativos, para cursos semelhantes; e descobrir se os colleges com fins lucrativos utilizam fraude, enganação (deception) ou outras práticas de marketing questionáveis. Para a segunda tarefa, pessoas a serviço da investigação se passaram por estudantes interessados em frequentar cursos das 15 instituições. Respostas do GAO: as anuidades praticadas nos for-profit colleges são maiores – em pelo menos um caso ela é 26 vezes maior – que nas instituições sem fins lucrativos na mesma área; e sim, as for profit cometeram irregularidades na tentativa de assegurar a matrícula dos “estudantes”-investigadores. A razão do interesse da Comissão está descrita no início do relatório divulgado na ocasião da audiência: no ano escolar de 2008-2009, alunos dos colleges com fins lucrativos ficaram com US$ 24 bilhões (R$ 40,8 bilhões) – 23% – dos US$ 105 bilhões (R$ 178,5 bilhões) destinados pelo Ministério da Educação norte-americano ao financiamento de estudos para obtenção de certificados de cursos curtos ou diplomas no conjunto dos colleges (com e sem fins lucrativos) dos EUA. A título de comparação, US$ 24 bilhões correspondem a mais de 74% do orçamento do nosso Ministério da Educação proposto pelo Executivo para 2011, de R$ 56,7 bilhões. O GAO destaca que, ao lado das práticas questionáveis, os colleges com fins lucrativos forneceram também informações precisas aos alunos em potencial.

...outra na ferradura – Exatos 29 dias se passaram e as com fins lucrativos contra-atacaram, por meio de um relatório do Instituto Nexus de Pesquisa e Políticas. Na forma de um PowerPoint de 77 transparências, o relatório do Nexus, o primeiro do instituto, criado há dois anos, faz a “advocacy” (defesa) das instituições lucrativas. Advocacy há sim no relatório, reconheceu o autor do documento, Jorge Klor de Alva, à publicação especializada norte-americana The Chronicle of Higher Education; “mas lobbying, não”, prosseguiu. O documento informa, em seu início, sobre os dois anos seguidos de “ataques” sofridos pelas for profit, vindos do Ministério da Educação, da mídia, do Congresso... Manifesta sua inconformidade com o fato de o GAO generalizar acontecimentos reportados em 37 lucrativas – apanhadas em irregularidades nas duas investigações do GAO – para as 2 mil que se qualificam para ter alunos recebendo financiamento federal. O documento argumenta que interessa ao governo fazer as verbas de financiamento a estudantes migrarem para as instituições públicas. Hoje, diz o Nexus, a maior parte dos estudantes mais pobres – aqueles com direito a empréstimos subsidiados e doações do Ministério da Educação – se concentra nas escolas com fins lucrativos [como se vê, isso não acontece só no Brasil. N. da E.]; daí as lucrativas terem aquela parcela de US$ 24 bilhões dos US$ 105 bilhões disponíveis para financiar estudantes; esse movimento de dinheiro seria o que “corre por baixo” da investigação sobre as lucrativas. Mas o “fato”, informa o autor, é que um estudante nas lucrativas custa ao contribuinte “US$ 0”, ante “US$ 8,5 mil” (R$ 14.450) nas instituições públicas. Este é o primeiro da série de “fatos” reunidos pelo Instituto Nexus, que é financiado pelo Grupo Apolo, que controla a Universidade de Phoenix, e pela Fundação John G. Sperling, uma instituição filantrópica – Mr. Sperling, a propósito, é fundador da universidade e presidente executivo do Grupo Apolo. A instituição controlada pelo Apolo oferece cursos de nível superior presenciais e online, do nível da formação profissional básica em curso de dois anos até o doutorado. Um documento do GAO avalia em 443 mil o número de alunos da UOPx; a informação no site da instituição fala em 462 mil em 2009.)

GAO, sobre as lucrativas – O Escritório de Transparência Governamental não identifica as 15 lucrativas que visitou no relatório apresentado à comissão do Senado. A escolha das instituições, diz o texto, pretendeu cobrir vários aspectos: escolas pequenas, maiores, escolas em que quase 90% das receitas vêm das verbas de financiamento a estudantes, escolas de estados que recebem proporções importantes dos recursos federais. Em quatro delas, os investigadores-estudantes foram “encorajados” a falsificar parte dos dados fornecidos ao Ministério da Educação no formulário de solicitação do financiamento, de forma a assegurar a obtenção das modalidades mais baratas de crédito; por exemplo, funcionários de uma instituição do Texas sugeriram a um estudante que omitisse uma poupança de US$ 250 mil (R$ 425 mil) e declarasse ter dois dependentes inexistentes. Em todas as 15 lucrativas, funcionários fizeram afirmações enganadoras aos estudantes disfarçados; uma instituição da Califórnia, que cobra US$ 14 mil (R$ 23,800) por um curso de massoterapia, informou ao investigador ser o preço justo, apesar de um community college na mesma área cobrar US$ 520 (R$ 884) por curso similar; outra, em Washington, para convencer um possível candidato a fazer um curso que oferece um certificado de barbeiro, informou a ele que o salário anual desses profissionais variaria entre US$ 150 mil (R$ 255 mil) e US$ 250 mil – mas a maioria deles não recebe mais que US$ 50 mil (R$ 85 mil) anuais. Outra informação do GAO: em alguns casos, a anuidade cobrada pelas lucrativas pode ser superior à das não lucrativas da área, sejam elas públicas, sejam privadas.

Pano de fundo – O noticiário sobre as for-profit é um fato da política educacional do governo Obama. Em 24 de fevereiro de 2009, em discurso ao Congresso, o presidente instou cada norte-americano a completar pelo menos um ano de educação superior. Para fazer dos EUA o país com mais graduados no ensino superior do mundo em 2020, Obama estabeleceu outra meta: graduar mais 5 milhões até lá. Para atingir a meta, repetem todos os envolvidos, é preciso contar com as lucrativas. Mas qual a qualidade do serviço de educação prestado por elas? Faz sentido um adulto dos EUA – alunos fora da idade escolar são os maiores clientes da formação nas lucrativas – se endividar para pagar a anuidade de seu curso? Essas questões surgiram para o Ministério da Educação de Obama quando decidiu-se rever as regras do financiamento a estudantes dentro do Título IV da lei de 1965. A expectativa contida no texto da lei é de que a titulação proporcione ao estudante “gainful employment” – um ganho compensador como resultado do trabalho. O ministro Arne Duncan resolveu discutir como dar conteúdo à expressão. As lucrativas consideraram um ataque o caminho que o ministério resolveu trilhar, consolidado em documentos e discussões públicas: o custo/benefício de um curso vai ser medido na nova regulação pela capacidade do aluno de pagar de volta seu financiamento. Um ponto de concentração do debate é: quanto do ganho projetado para o concluinte de determinado curso pode ser comprometido com o ressarcimento do empréstimo educativo? O Ministério da Educação tende a colocar a régua em 8%. Quanto menor essa porcentagem, mais difícil fica para as lucrativas provarem que vale a pena a um aluno fazer seu curso. O noticiário atual é reflexo desse debate. A peça de legislação é esperada para novembro. Ensino Superior Unicamp conta o resultado na próxima edição.

Na mídia – Um ponto muito debatido desde agosto de 2010 são os dados do Ministério da Educação sobre a taxa de adimplência dos graduados por instituição, um dos ingredientes da cesta de indicadores a ser usada como critério para a escola poder ou não ter alunos financiados pelo Título IV. O ministério dá sinais de que fixará o limite em 35%: ou seja, quem não tiver pelo menos 35% dos egressos adimplentes com o financiamento não poderá mais ter alunos recebendo financiamento ou bolsa. O próprio ministério organizou e divulgou dados sobre “taxas de repagamento” em 8,4 mil instituições, lucrativas e não lucrativas. Em 13 de agosto, data da divulgação dos dados, o New York Times afirmou no título de um texto sobre o assunto: “Low Loan Repayment Is Seen at For-Profit Schools” (Baixo Repagamento de Empréstimos Visto em Escolas com Fins Lucrativos). O jornalista destacou como exemplo um grupo de lucrativas cujas taxas de adimplência são inferiores a 20%. “Em várias, as taxas são menores que 10%”, se espantou o jornalista. Mas... e as taxas de repagamento das não lucrativas com clientela também na faixa dos estudantes com mais dificuldades? Um blogueiro de um site na internet que acompanha o mercado de capitais (parte das lucrativas tem ações em bolsa) – o blog chama-se MagicDiligence, ou Diligência Mágica – fez a pergunta. A resposta encontrada: há não lucrativas – entre elas community colleges e faculdades estaduais – que também têm taxas de repagamento muito baixas. O autor da análise, postada em 23 de agosto, avisa que possui ações de três grupos de controle de instituições lucrativas; um deles é o Grupo Apolo, da Universidade de Phoenix. A taxa de repagamento do grupo Apolo é boa: 44%. A disputa é grande; o governo diz que menos de 10% das lucrativas vão ser afetadas pela regulação; para os lobistas, o número é maior. No dia 11 de setembro, um dos editoriais do New York Times afirmava a necessidade da regulação e apoiava o governo. “Vamos deixar o estudante lucrar”, pedia o jornal no título.

Beato Cardeal Newman – O pensador e educador inglês John Henry Newman (1801-1890) foi beatificado no dia 19 de setembro, por ocasião da visita do papa Benedito XVI à Grã-Bretanha. Newman é autor da obra The Idea of University (A Ideia de Universidade), coletânea de palestras proferidas na década de 1850, em que apresenta sua visão de universidade. Para ele, a universidade deveria ensinar o conhecimento universal e o cultivo da mente e proporcionar aos estudantes educação liberal ampla, e não treinamento vocacional. A sabedoria deveria ser buscada por si só, assim como as virtudes associadas a ela: a paciência, a indulgência e a magnanimidade. Newman dizia que as universidades deveriam ensinar um vasto leque de matérias – além dos clássicos, da filosofia, da ética, da literatura e da teologia, defendia o ensino das ciências naturais, da medicina e da engenharia. “O próprio nome universidade não condiz com nenhum tipo de restrição”, observou Newman. Em seu entender, a universidade deveria ser necessariamente uma comunidade residencial, pois, se os estudantes convivessem e juntos estudassem variados assuntos, suas mentes se abririam. O impacto de suas ideias foi maior nos Estados Unidos, onde várias instituições adotaram um modelo de universidade próximo ao que ele defendia. As palestras que compõem A Ideia de Universidade foram proferidas quando Newman ocupava o cargo de reitor da Universidade Católica da Irlanda – hoje University College de Dublin –, que fundou em 1854. Foi a primeira instituição de ensino superior criada no país, de maioria católica, então parte do Império Britânico, oficialmente protestante. “Se Newman examinasse as universidades modernas, ficaria um tanto desesperado”, afirmou à revista Times Higher Education Bart McGettrick, professor e diretor da Faculdade de Educação da Universidade Hope, de Liverpool, para quem as universidades britânicas correm o risco de se tornarem “cãezinhos de estimação do business”. Segundo McGettrick, “Newman constataria que a educação submeteu-se a um modelo funcional e mecânico”. O papa pode beatificar Newman – sacerdote anglicano convertido ao catolicismo, no qual chegou a cardeal – porque, em abril de 2009, a Congregação para as Causas dos Santos, do Vaticano, reconheceu como milagre a cura de um problema de coluna de um diácono da região de Boston, nos EUA, que a atribuiu ao educador. O passo seguinte é a canonização. Santos precisam ter em seu currículo no mínimo dois milagres, e uma segunda intervenção milagrosa atribuída a Newman está na fila para o escrutínio do Vaticano. Trata-se da recuperação de um jovem de 17 anos do estado norte-americano de New Hampshire que sofreu graves ferimentos na cabeça num desastre automobilístico, invocou o cardeal e ficou bom.

Mais doutoras, lá e cá – Os Estados Unidos registraram em 2009 uma inédita vantagem das mulheres entre os doutores formados no país, segundo o relatório anual do Council of Graduate Schools, de Washington, D.C., que reúne mais de 500 universidades norte-americanas e canadenses. No ano letivo 2008-2009 (entre 1º de julho de 2008 e 30 de junho de 2009), as instituições de ensino superior dos EUA formaram no doutorado 28.962 mulheres (50,4%) e 28.469 homens (49,6%). A presença crescente de mulheres no ensino superior vem sendo registrada em estudos nos últimos anos, mas o doutorado ainda era de maioria masculina – o único dentre os títulos acadêmicos. As mulheres são também maioria entre os que se graduam no mestrado: em 2008-2009, do total de titulados, 60,4% eram mulheres, e 39,6%, homens. Nos cursos de especialização, mais de dois terços (67,3%) são do sexo feminino. No doutorado, as mulheres conquistaram a maior parte dos títulos nos EUA em seis das 11 áreas de estudo, com destaque para as de Saúde (70,2%), Educação (67,3%) e Administração Pública e Serviços (61,5%). Já os homens dominam as áreas de Engenharia (78,4%), Matemática e Ciências da Computação (73,2%) e Ciências Físicas e da Terra (66,6%). Divulgado em setembro, o estudo Graduate Enrollment and Degrees: 1999 to 2009, de autoria de Nathan Bell, diretor de pesquisa e análises de políticas do Council of Graduate Schools, foi realizado com base nas respostas enviadas por 699 instituições de ensino superior dos EUA, que formaram 57,6 mil doutores, 503 mil mestres e 27 mil especialistas em 2008-2009 (como nem todas as instituições responderam a todos os itens da pesquisa, o total pode não coincidir com a soma individual por gênero).

As instituições públicas foram as responsáveis pela maioria dos títulos de doutorado e mestrado; as universidades privadas e sem fins lucrativos formaram a maior parte dos especialistas. Entre os anos letivos de 2007-2008 e 2008-2009 houve um crescimento de 3,9% nos doutorados, puxado pelas mulheres, que registraram um aumento de 6,3%, contra apenas 1% dos homens. Essa comparação também beneficiou o sexo feminino nos últimos dez anos: a taxa média de crescimento anual foi de 5,5% para mulheres e 2,1% para homens. Apesar de todas as áreas de estudo terem registrado aumento entre 1998-1999 e 2008-2009, os maiores destaques nos doutoramentos, independentemente do sexo, foram Saúde (11,1%) e Matemática e Ciências da Computação (5%). No Brasil, desde 2004 as doutoras são maioria. As cifras estão no documento Doutores 2010 – Estudo da Demografia da Base Técnico-Científica Brasileira, publicado em maio pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Em 2004, o País titulou 4.085 mulheres (50,6%) e 3.991 homens (49,4%) em programas de doutorado. A participação das brasileiras subiu para 50,9% em 2005 e atingiu 51,5% em 2008.

Yale em Cingapura – No dia 10 de setembro, a instituição norte-americana e a Universidade Nacional de Cingapura assinaram um “memorando de entendimento”, no qual se comprometem a “continuar a estudar seriamente” a possibilidade de implantar em conjunto um novo liberal arts college, que “poderá ser um modelo para toda a Ásia”, de acordo com comunicado à imprensa divulgado na página de notícias de Yale na rede mundial. O memorando, que não impõe obrigações às universidades, prossegue conversas iniciadas em 2009, quando Cingapura tomou a iniciativa de convidar Yale a participar da concepção do novo college. O comunicado à imprensa informa que no terceiro trimestre de 2009 três comissões de professores de Yale trabalharam para desenhar os contornos da nova escola, que, sempre de acordo com o press release, deverá criar um modelo de educação geral, de conteúdo humanista, para “servir a toda a Ásia e preparar estudantes para os desafios e as oportunidades do século XXI”. O memorando estabelece uma data provável para o início das atividades do novo college, o segundo semestre de 2013. No desenho em estudo, o diploma dos não mais que mil estudantes seria expedido pela Universidade de Cingapura – e não por Yale –, mas o conselho de direção do college seria independente: metade de seus integrantes seria apontada por Yale, e ele teria autoridade para decidir sobre currículo, seleção de professores e políticas de admissão de alunos. Yale não gastaria nem um centavo; todo o custo seria coberto pelo governo e pela Universidade Nacional de Cingapura. A administração do reitor Richard Levin (que assina o artigo à página 26 desta edição, sobre universidades asiáticas) agora submete a ideia ao conjunto de seus docentes.

Vestibular novo na Unicamp – A Comissão Permanente de Vestibulares da Universidade Estadual de Campinas mudou o formato das provas que aplicará na seleção de candidatos para 2011. Até 2010, a prova da primeira fase era composta de 12 questões dissertativas e uma redação; em vez disso, em 2011 o estudante que quiser entrar na Unicamp vai responder a 48 questões de múltipla escolha e escrever três textos. Já na segunda fase, entre 16 e 18 de janeiro de 2011, os candidatos responderão a 72 questões dissertativas durante três dias (24 por dia), em vez de 96 questões em quatro dias. O objetivo do novo modelo é aprimorar a seleção e promover uma atualização programática e acadêmica do processo seletivo. As discussões internas para as mudanças do vestibular começaram em 2005, de acordo com a Comvest; em dezembro de 2008 foi apresentada à Câmara Deliberativa da Comissão a primeira proposta de reestruturação, que aproximava o vestibular do sistema atual do ensino médio, com as bases curriculares divididas em Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Linguagens e Códigos. Ao longo de 2009 novas sugestões foram apresentadas, entre elas a revisão da prova de redação; e em dezembro, finalmente, a Câmara Deliberativa aprovou por unanimidade a proposta a ser implantada a partir de agora. A ideia é que, com um número maior de questões de múltipla escolha na fase inicial, o exame seja mais abrangente. Serão 12 questões de Matemática; 18 de Ciências Humanas, Artes e Humanidades – das quais ao menos seis de Geografia e seis de História, e as outras de Filosofia, Sociologia e Artes, na medida em que essas disciplinas forem incorporadas aos currículos do ensino médio; e 18 de Ciências da Natureza – seis de Ciências Biológicas, seis de Física e seis de Química. Com a ampliação do total de perguntas da primeira fase, aumenta também a duração da prova, que passa de quatro para cinco horas. De acordo com a Comvest, a exclusão das questões dissertativas na primeira etapa não acarretará prejuízo ao sistema de avaliação dos candidatos, pois ele continuará a privilegiar a capacidade de estabelecer relações, a análise das informações, a leitura e a interpretação. Na outra parte da primeira fase, a prova de redação consistirá da produção obrigatória de três textos de gêneros diversos com base em textos-fonte. O novo formato quer reforçar a integração entre leitura e escrita e estimular os alunos a explorar outros gêneros, já que no sistema anterior eles podiam escolher apenas uma proposta de texto, entre carta, dissertação e narrativa. Neste ano, em razão de um problema de incompatibilidade de datas, a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não será utilizada para ingresso na Unicamp. Como o Ministério da Educação divulgará apenas em janeiro de 2011 as notas da prova a ser realizada em 6 e 7 de novembro, e a Unicamp anunciará o resultado da primeira fase em 20 de dezembro, a Comvest não poderá empregar os resultados do Enem no próximo vestibular. No Vestibular 2010, a Comvest registrou 55.484 candidatos na disputa por 3.444 vagas em 68 cursos, o que inclui as 124 vagas oferecidas em dois cursos da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp).

Internacionalização – Instituições brasileiras de ensino superior estão deixando a “insularidade” e buscando alunos, professores e parceiros internacionais; a imagem “opaca” das universidades no cenário acadêmico internacional e a “ignorância sobre o País” não facilitam o caminho rumo à internacionalização; o fato de o presidente Lula “ter tornado o Brasil mais proeminente na diplomacia internacional” faz aumentar também o interesse pela academia. Esse é o teor do texto publicado no dia 4 de setembro pela Chronicle of Higher Education. Para chegar a essas conclusões, a revista mandou ao Brasil o jornalista Andrew Downie, que falou com representantes da USP, da Unicamp, da UFRJ e da FGV. Matias Spektor, chefe de relações internacionais da GV-Rio, contou à revista que, embora tente, a instituição não consegue atrair nem professores de “sólida reputação acadêmica” nem professores “jovens, ambiciosos”, porque para eles seria “a morte” trabalhar no Brasil, a não ser que estivessem estudando – por exemplo – doenças ou músicas nativas. Adnei Melges de Andrade, o pró-reitor de relações internacionais da USP, contou que o número de estudantes estrangeiros dobrou na instituição nos últimos quatro anos. Agora, de acordo com a revista, são 1,6 mil em 80 mil alunos. Da Unicamp, a Chronicle destacou a publicação de anúncios buscando pesquisadores na Nature e na Science. “Apesar de mais de duzentas pessoas terem respondido”, conta o repórter, para explicar a necessidade de concurso para ingresso na universidade, “a Unicamp não pode contratar nenhum deles imediatamente, por causa das políticas peculiares das universidades federais e estaduais”. Na lista da revista, a maior de todas as dificuldades é a língua; a segunda, o fato de as universidades não oferecerem moradia e os locadores exigirem garantias. A demora na obtenção de visto e a segurança também fazem parte do rol. Sobre a UFRJ, a Chronicle registrou a declaração do coordenador de acordos internacionais. Ele calcula que, em seis anos, o número de acordos com universidades estrangeiras saiu da casa dos 50 e está em torno de 200 hoje. O jornalista também procurou Leslie Bethell, que dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros de Oxford. É dela a afirmação que finaliza a reportagem: “Ouço em todo lugar que as pessoas estão assinando acordos para trocar estudantes. Não sei até onde isso irá. Sou um pouco cética. O Brasil sempre relutou em fazer isso”.

Duas da Universidade da Califórnia – A primeira notícia procedente da UC é sobre a Escola Anderson de Negócios (Management) do campus de Los Angeles. A escola decidiu buscar financiamento privado para substituir o que atualmente recebe do governo. De acordo com declaração da reitora da escola, Judy Olian, ao Financial Times do dia 6 de setembro, a “solução criativa” permitirá a destinação dos recursos de que a escola abrirá mão para outras unidades de graduação do sistema californiano com mais dificuldade para se financiar. Para ser implementado, o plano da Escola Anderson ainda depende da decisão final do presidente da UC, Mark Yudoff. Uma consequência da decisão seria um aumento no custo das anuidades – e de acordo com a reitora, não em ritmo superior ao que já vem sendo praticado no sistema desde que os fundos públicos começaram a escassear na UC por causa do déficit fiscal do estado mais rico dos EUA. Hoje, a anuidade na Anderson é de US$ 41 mil (R$ 69,7 mil) para residentes da Califórnia e US$ 49 mil (R$ 83,3 mil) para não residentes. O orçamento da escola é de US$ 90 milhões (R$ 153 milhões) anuais, dos quais 18% vêm dos cofres públicos, o que inclui o financiamento das anuidades dos estudantes. A segunda notícia é sobre o projeto-piloto de educação online disparado no final do primeiro semestre de 2010. A administração da UC planeja começar por oferecer a distância disciplinas básicas com número muito grande de matriculados. No desenho do projeto-piloto, no primeiro lote estariam, por exemplo, Cálculo I, II e III; Química Geral I, II e III; Física I, II e III; Redação para 1º Ano; e Introdução à Psicologia, entre outras. Até o final de 2010, a universidade pretende fazer uma chamada de propostas para professores interessados em criar as disciplinas online, ministrá-las e depois participar da avaliação; cada curso passará pela aprovação de comissões de docentes em cada campus. O projeto-piloto vem sendo capitaneado pelo reitor da Escola de Direito de Los Angeles, Christopher Edley Jr, e enfrenta o ceticismo e a resistência de parte significativa do corpo docente, que vê cursos a distância como carentes de qualidade e, por isso, uma ameaça à excelência da UC. Como principal advogado do plano, Edley falou no dia 20 de abril na conferência Universidades Virtuais, 11º Campus da Universidade da Califórnia, no Centro para Estudos de Educação Superior (CSHE, na sigla em inglês), do campus de Berkeley. Para ele, se a experiência for bem-sucedida, poderá alterar de maneira “radical” a forma pela qual a sociedade norte-americana “produz sua elite” – por dar a muitos a possibilidade de vir a fazer parte dela. John Douglass, pesquisador do CSHE, falou a Ensino Superior Unicamp, por e-mail, sobre a ideia – que considera boa. Para ele, o caminho proposto – começar por disciplinas a distância – pode constituir uma “robusta coleção” desse tipo de curso. Douglass observou, logo depois de a ideia ter vindo a público, no primeiro semestre, que temas como a análise detalhada dos custos ainda não haviam sido bem discutidos; e lembrou que, há 13 anos, foi feita uma tentativa de implementação de cursos online no nível da graduação, mas não houve aprovação interna. “O elemento-chave”, escreveu ele, “é a promessa de conseguir fundos externos” para implantar a iniciativa. O reitor Edley trabalha para levantar US$ 6 milhões (R$ 10, 2 milhões) para o projeto.

Portugal e o mundo – O futuro dos acordos de cooperação entre universidades públicas portuguesas e instituições de ensino superior internacionais – entre elas as norte-americanas Universidade Carnegie Mellon, Escola de Medicina de Harvard, MIT e Universidade do Texas/Austin – preocupa acadêmicos no país. Firmados em 2006, os acordos visam a expandir programas de pesquisa e de ensino em Portugal e o intercâmbio de docentes. Eles integram as políticas do governo português para transformar seu sistema de ensino superior (veja a reportagem de Janaína Simões à página 70) e expiram em 2011. Há incerteza sobre sua renovação em razão da crise econômica que ronda a zona do euro. Um dos objetivos dos acordos, nas palavras do secretário de Ensino Superior, Manuel Heitor, é atrair a atenção da indústria e também da academia portuguesa para atividades de pesquisa e desenvolvimento e assegurar a outros países europeus que Portugal trabalha de fato para se transformar em uma “economia do conhecimento”. O teor dos acordos varia: com a Carnegie Mellon, trata-se de treinamento de pessoal de universidades portuguesas em transferência de tecnologia; com a Universidade do Texas, inclui uma incubadora de empresas com foco em comercialização de tecnologias; a parceria com a Harvard Medical School visa treinamento clínico pós-doutorado e em ensino de medicina. Na estratégia do governo, outras consequências esperadas dos acordos são: manter os melhores alunos portugueses no país para seus estudos de pós-graduação e atrair estudantes do exterior – hoje, segundo a publicação The Chronicle of Higher Education, dos EUA, 60% dos candidatos ao programa MIT-Portugal são estrangeiros –; e conectar universidades portuguesas a redes científicas internacionais e à indústria, e umas com as outras. Portugal vem investindo € 50 milhões (R$ 110 milhões) por ano no programa de parcerias internacionais, que também inclui investimento privado – e há resultados: entre 2006 e 2009, 340 alunos de mestrado e doutorado participaram do acordo com o MIT; também com o MIT foi lançado, em 2009, um programa de MBA para formação de gerentes, importante para as pequenas e médias empresas, maioria no país, que em geral têm administração familiar e são pouco capacitadas em termos gerenciais. O programa com a Carnegie Mellon, por sua vez, envolveu, de outubro de 2006 até 2009, 170 alunos de mestrado e doutorado; e 50 estudantes se pós-graduaram no âmbito do programa com a Universidade do Texas. Além desses acordos, Portugal será o primeiro país a contar com uma unidade no exterior do Instituto Fraunhofer, alemão. O foco do Fraunhofer Portugal Research serão as pesquisas na área de tecnologias da informação e comunicação. A unidade portuguesa da instituição, que ainda está em implantação, ficará junto à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Assim como na Alemanha, em Portugal o Fraunhofer deve atuar em projetos voltados para o setor privado. Há resultados também em projetos de inovação: dentro da parceria com a Carnegie Mellon, pesquisadores desenvolveram para 500 táxis do Porto sensores high-tech que transmitem informações sobre o tráfego em tempo real, o que permite ao motorista desviar de congestionamentos e evitar outros problemas de trânsito. Projeto mais ambicioso é o desenvolvido no acordo com o MIT, do qual participam duas geradoras de energia e a empresa portuguesa de TI Novabase, cujo objetivo é tornar energeticamente sustentável o arquipélago dos Açores, grupo de nove ilhas no Atlântico Norte localizadas cerca de 1.500 quilômetros a oeste do continente europeu. Os cientistas que trabalham nele estão testando fontes renováveis de energia, como turbinas eólicas, convertendo a frota de veículos local para eletricidade e transformando a rede de distribuição de eletricidade de algumas das ilhas em smart grids (redes inteligentes), em que o uso de energia é controlado para que as necessidades nas horas de pico sejam atendidas adequadamente. A Chronicle registra ainda que o número de artigos científicos publicados por acadêmicos portugueses em periódicos internacionais indexados passou de 6.597 em 2002 para 12.108 em 2009. Outro exemplo: Portugal alcançou recentemente a média da OCDE de pesquisadores por mil trabalhadores. Last but not least, pela primeira vez Portugal se tornou exportador líquido de tecnologia.

Patentes acadêmicas – A Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), em seu volume Indicadores Mundiais de Propriedade Intelectual 2010, publica dados de 2009 sobre pedidos de patentes feitos dentro das regras do tratado de cooperação de patentes, o PCT, oriundos de universidades, por área tecnológica. No âmbito do tratado, as universidades respondem por 5% do total dos pedidos de patentes publicados no ano. Biotecnologia e farmacêutica são as duas áreas em que as universidades do mundo registraram no ano número de pedidos superior a mil – 1.179 e 1.261, respectivamente. Depois, vêm: tecnologia médica, com 648 pedidos; instrumentos de medição (equipamentos para cálculo de dimensões lineares, ângulos, áreas etc.), com 504; análises de materiais biológicos (equipamentos empregados em análises para fins médicos, como exames de sangue), com 421; química orgânica fina, com 397; tecnologia da computação, com 355; semicondutores, com 332; química de materiais, com 251; e engenharia química, com 200. Para o período 2005-2009, a OMPI também mostrou o crescimento por área; as cinco áreas em que as patentes das universidades mais cresceram foram nanotecnologia e tecnologia de microestruturas (48%); processos e dispositivos térmicos – equipamentos ou processos relacionados à troca ou transferência de calor (31,6%); comunicação digital (27,8%); métodos de gerenciamento por tecnologia da informação (25,7%) e transportes – tecnologias e aplicações relacionadas a veículos para locomoção terrestre, ferroviária, marítima, aérea etc. (25%). O expressivo aumento das patentes de nano e microtecnologia se fez sobre uma base muito pequena: 96 no ano. A prometida “nova revolução tecnológica” avança devagar. O total mundial de pedidos de patentes na área, para 2007, o mais recente divulgado pela OMPI, também mostra pouco vigor: houve 2.617 pedidos no ano.

 

 

 
 
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