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PRISÃO. PARA QUÊ? PARA QUEM?

O que está acontecendo conosco? O que é este mundo, esta época, este momento preciso em que vivemos? O que estamos fazendo de nós mesmos (…) para a constituição de nós mesmos como sujeitos autônomos?

Michel Foucault

 É candente o desafio, para todos nós, de pensar a realidade brasileira, inserida em uma realidade mundial, global. Hoje,  mais do que nunca.

Prisão. Instituição que temos aprendido a ver como natural, a-histórica, e que, por isso mesmo, tem sido pouco discutida, pouco pensada, pouco problematizada.

Mas, o que é a prisão? Uma instituição que tem uma história, que é produzida por determinadas práticas sociais. No contemporâneo, essas  práticas de aprisionamento e de governo da vida, denominadas por Foucault de biopoder, ou poder sobre a vida, são hegemônicas, dominantes e, o que é pior, vistas como fazendo parte da natureza da sociedade em que vivemos.

Colocar em análise essa instituição prisão e ter uma visão crítica do que é e do que representa é nossa proposta.

Queremos pensar a prisão a partir da análise histórica dessa instituição, em que contexto histórico ela surge, e em que momento outras instituições, como os saberes das ciências humanas e sociais, emergem em torno da prisão.

Analisar a instituição prisão exige interrogar a política proibicionista, que reprime e criminaliza as drogas; essa política vem sendo exportada pelos Estados Unidos da América desde os anos 1990 e cumpre, entre outros, o papel de fortalecer, manter e legitimar a prisão.

Queremos pensar as possibilidades e limites dos profissionais que nela atuam, problematizar para que se interroguem sobre suas práticas.

Mas queremos mais, queremos pensar e problematizar também nossas próprias práticas, nós que não trabalhamos nessa instituição, mas por vezes aplaudimos sua existência. Interrogar cada um de nós. Problematizar nossa crença de que sem prisão não existe sociedade organizada.

Nossa proposta é um desafio para todos e para cada um de nós: parar de se apegar a um modelo já conhecido e reconhecidamente falido e buscar inventar outros modos, fundados não em práticas de aprisionamento mas em práticas de liberdade.